Poucos dias antes, aquele mesmo cidadão estivera no Symphony Hall, Boston, onde os melhores lugares estão disponíveis a cerca de cem dólares. Agora você talvez se pergunte como alguém que toca violino sentado ao chão de uma estação de metrô conseguiria dinheiro para ter comparecido a um lugar tão fino. Isso porque é difícil acreditar que a mesma pessoa que tocara no Symphony Hall estava em performance numa estação de metrô poucos dias depois; mas esse é exatamente o caso. Joshua Bell, considerado um dos maiores violinistas do mundo, se propôs a levar seu violino de quase 3 séculos e avaliado em mais de 3 milhões de dólares até o chão de uma estação movimentada, apenas para ver qual seria a reação das pessoas.Por que será que isso aconteceu? Por que pessoas que teriam sido capazes de pagar 100 dólares em um concerto, simplesmente ignoraram uma atuação de rigorosamente o mesmo conteúdo, tendo esta acontecido em uma estação?
Ignoramos ou julgamos obras mesmo sem conhecê-las ou nunca termos ouvido, como músicas, programas, filmes; deixamos passar coisas importantes na vida apenas por não percebermos de imediato seu valor; passamos a respeitar mais ou respeitar menos aquela pessoa ou determinado grupo de pessoas, simplesmente para não contrariar o senso comum; isso tudo às vezes pela simples falta de uma marca. Um registro que comprove que estamos certos em apreciar aquilo, que não vamos ser considerados "diferentes" e que não estamos tendo mau gosto.
A verdade é que, como Bell nos mostrou naquele episódio, não há situação certa para essa ou aquela preferência, não é necessário haver grife para haver qualidade, não há momento errado para apreciar aquilo de que se gosta. O que há é a necessidade de entender que uma obra sempre valerá mais do que a sua assinatura.

Nenhum comentário:
Postar um comentário